quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Fábrica de aviões da Boing abre as portas para turistas conhecerem produção nos EUA.

Marcel Vincenti
Do UOL, em Everett (EUA)*
Em 1966, ao anunciar a criação da aeronave 747 (o maior avião comercial do mundo até então), a empresa Boeing embarcou em um projeto colateral igualmente ambicioso: erguer um edifício grande o suficiente para abrigar o processo de montagem do jumbo. O prédio levantado na cidade de Everett, a cerca de 50 km de Seattle, nos Estados Unidos, iria entrar para o livro dos recordes: com 13,3 milhões de metros cúbicos, é hoje o maior edifício do mundo em volume, e não está restrito apenas a engenheiros formados em Stanford.
Turistas de todo o planeta podem entrar no local (que ocupa uma área de 400 mil m²) para conhecer a produção de todas as variantes das aeronaves 747, 767, 777 e 787 Dreamliner. O passeio é um deleite para os amantes da aviação: conduzidos por um guia, os visitantes caminham por passarelas sobre as linhas de montagem dos aviões e observam, lá embaixo, quase 40 mil funcionários trabalhando sobre fuselagens, turbinas, caudas, asas, winglets, sistemas elétricos e hidráulicos, trens de pouso e o que mais puder ser encontrado entre as milhões de partes que compõem uma aeronave (um 777, por exemplo, é feito com mais de três milhões de peças e, em Everett, trabalha-se com materiais fornecidos por empresas de 70 países).
O processo produtivo que os visitantes presenciam é lento e meticuloso: um 747 chega há demorar quatro meses para ser montado. E apesar do preço salgado de tanta tecnologia (cada 747 pode custar mais de US$ 300 milhões), a Boeing não para de trabalhar: atualmente, a companhia tem, por exemplo, 380 modelos do 777 encomendados.
Mesmo com os problemas apresentados por suas baterias de íon-lítio desde o começo de 2013, o recém-inaugurado 787 Dreamliner tampouco para de sair: há mais de 900 encomendas para o modelo, cuja linha de produção também pode ser observada pelos turistas.
No local, sob bandeiras dos Estados Unidos, milhares de funcionários montam a aeronave cujo projeto consumiu investimentos de mais de US$ 20 bilhões (e, por conta de seus problemas, já gerou milhões em prejuízos à Boeing). O setor acessível aos visitantes abrange a parte final da produção do Dreamliner: as aeronaves já estão pintadas com a identidade visual de seus compradores (LAN, AeroMexico, Air France e Ethiopian entre eles) e praticamente prontas para decolar do aeroporto privado que a Boeing mantém ao lado da fábrica.
No tour, o guia faz questão de ressaltar as qualidades do avião: consumo de combustível 20% menor que o de outras aeronaves de tamanho similar, compartimentos de bagagens maiores, interior com luzes de LED que mudam de cor de acordo com o momento do voo, janelas 30% maiores que a média e a presença do sistema "Smoother Ride Technology" (algo como "Tecnologia de Percurso Mais Suave"), que aumenta a estabilidade do Dreamliner em momentos de turbulência.
As outras aeronaves também ganham explicações elucidativas (e curiosas). Fica-se sabendo, por exemplo, que a cauda do modelo 747-8 ergue-se a uma altura equivalente à de um prédio de seis andares: 19,5 metros. O avião 777-200LR, com capacidade para voar por até 17.395 km, por sua vez, consegue conectar quaisquer pares de cidades do mundo em um único voo.
No percurso, o público ainda vê miniaturas de aeronaves cargueiras da Boeing (como o supermoderno 747-700 Dreamlifter, usado para transportar partes gigantescas do Dreamliner) e detalhes de outras aeronaves, como uma fatia da fuselagem do 747.
A visita à planta de Everett dura cerca de 90 minutos e mostra ao turista brasileiro modelos de aviões nos quais ele terá grande chances de embarcar no futuro. De acordo com relatório divulgado pela Boeing no final de 2012, a empresa e suas concorrentes (como Airbus e Bombardier) devem vender cerca de 2.500 aviões para companhias aéreas latino-americanas nos próximos 20 anos – e 40% deles serão comprados por operadoras brasileiras.
A Boeing entregou seu primeiro avião comercial para o Brasil em 7 de junho de 1960 – um 707 comprado pela Varig. Desde então, a empresa vendeu aviões para 13 companhias do país.
Da fábrica de Everett saem, todos os meses, uma média de 19 novas aeronaves, e o local é visitado anualmente por mais de 100 mil forasteiros. Entre os personagens ilustres que já passearam pela linha de montagem estão o ex-presidente americano Bill Clinton, o ex-presidente russo Boris Yeltsin, o falecido rei Hussein, da Jordânia, e o ex-presidente chinês Jiang Zemin.
Museus:
Ao visitar a fábrica de Everett o turista ganha o direito de passear pelo centro de aviação "Future of Flight", que mostra como os aviões são desenhados, ensina como funcionam as técnicas da aviação e abriga simuladores que levam o visitante até momentos dramáticos da história, como a batalha por Iwo Jima, na Segunda Guerra Mundial.
E após visitar a linha de montagem, vale muito a pena fazer um passeio pelo "The Museum of Flight" (O Museu do Voo), localizado na cidade de Seattle. O lugar exibe mais de 150 aviões e naves espaciais, além de dispositivos de treinamento da NASA e projetos originais dos irmãos Wright. Entre os destaques do tour estão o primeiro avião de guerra do mundo, o primeiro avião presidencial Air Force One e a aeronave mais rápida do mundo -- o jato espião Blackbird. Produtos do "inimigo", como o soviético MiG-15, também podem ser admirados no Museum of Flight.
Mais informações: www.museumofflight.org e www.futureofflight.org
ORIENTAÇÕES PARA A VISITA À FÁBRICA DE EVERETT:
A fábrica de Everett recebe visitas turísticas sete dias por semana, das 8h30 às 17h (horário local).  Para saber como fazer reservas e comprar ingressos (que chegam a custar 18 dólares), acesse: www.boeing.com/boeing/commercial/tours/
Todos os tours são conduzidos em inglês e duram cerca de 90 minutos.
Câmeras não são permitidas durante o percurso, que tem cerca de meio quilômetro de extensão.
Crianças com menos de 1,20 metro de altura não podem entrar na fábrica.
Cadeirantes podem fazer o passeio, mas precisam avisar a Boeing sobre suas condições com antecedência.
A Boeing não oferece nenhum tipo de transporte turístico para Everett. Portanto, a melhor maneira de ir até a fábrica é alugando um carro em Seattle. Para saber como chegar ao destino, acesse: www.boeing.com/boeing/commercial/tours/direct.page?
Montagem do 737
Na região de Seattle, mais precisamente na cidade de Renton, a Boeing também monta o 737, um dos jatos mais populares do mundo. Esta fábrica, infelizmente, não é aberta a turistas. Mas no vídeo abaixo é possível ver parte do processo que dá origem à aeronave - e que se parece com o que o visitante pode observar em Everett. Confira:

                   
     Portal Uol.

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