
O deputado federal
Natan Donadon (RO) se entregou à Polícia Federal de Brasília no fim da manhã
desta sexta-feira (28). A informação foi dada inicialmente pela assessoria do
parlamentar e depois confirmada pela assessoria da PF.
Ele é o primeiro
parlamentar que no exercício do cargo teve prisão decretada pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) desde a Constituição de 1988.
Donadon está sem
partido porque nesta quinta-feira, foi expulso pelo diretório do PMDB em
Rondônia. Na Câmara dos Deputados, Donadon responde a processo de cassação do
mandato.
De acordo com Tatiana
Soares, assessora do deputado, Donadon se entregou à polícia na L2 Sul uma
avenida de Brasília.
A assessoria da
Polícia Federal informou que ele decidiu se entregar no meio da rua porque não
queria ficar exposto ao constrangimento de aparecer diante de jornalistas na
porta da Superintendência da Polícia Federal. De acordo com a assessoria, o
parlamentar telefonou e indicou o local onde estava.
Segundo a assessora
Tatiana Soares, foram ao encontro de Donadon o superintendente da PF no
Distrito Federal, Marcelo Mosele, um delegado e dois agentes. Tatiana afirmou
ainda que o deputado foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exame de
corpo de delito. A assessoria da Polícia CIvil do Distrito Federal, responsável
pelo IML, não confirmou a informação.
O deputado deve ser
levado para a custódia da Polícia Federal no Complexo Penitenciário da Papuda,
em Brasília. A expectativa é de que ele fique na penitenciária, já que a
ministra Cármen Lúcia decidiu que a pena será cumprida em Brasília.
Durante toda a
quinta-feira, a PF realizou buscas e monitorou vários pontos de Brasília, e
também pessoas ligadas a Donadon. A equipe de buscas foi reforçada e agentes
procuraram o parlamentar em Porto Velho e Vilhena, em Rondônia.
Condenado a 13 anos
Donadon foi condenado
em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos de prisão por peculato e
formação de quadrilha, mas recorria em liberdade. Na quarta (26), o Supremo
negou o último recurso possível e expediu o mandado de prisão.
Donadon foi
considerado culpado pelo Supremo em outubro de 2010 por supostamente liderar
uma quadrilha que desviava recursos da Assembleia Legislativa de Rondônia.
Os desvios teriam ocorrido
entre 1995 e 1998, num total de R$ 8,4 milhões. A condenação pelo Supremo foi
decidida por 7 votos a 1, com pena de 13 anos, 4 meses e 10 dias de prisão em
regime fechado, além de multa.
Advogado contesta decisão
O advogado do
deputado, Nabor Bulhões, afirmou na última quarta que discorda da posição
tomada pelo STF. Para ele, a pena do
deputado não poderia ser diferente da de outros réus condenados pelos fatos em
outros tribunais.
"Não se pode
manter uma condenação definitiva, de alguém que é partícipe, a uma pena de 13
anos, quando os autores foram condenados a quatro anos com a conversão da pena
restritiva de liberdade em restritiva de direitos", disse.
Natan Donadon foi
condenado pelo STF em 28 de outubro de 2010. Um dia antes, no dia 27, ele renunciou
ao mandato que exercia. Ele, porém, já estava eleito para um novo mandato e
tomou posse em 2011.
Apesar de estar
preso, Natan Donadon continua deputado federal. Ele é alvo de processo na
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados que pode levar à
cassação de seu mandato.
Se for aprovado na
comissão, o processo de cassação segue para o plenário da Câmara, que decide se
decreta ou não a perda do mandato.
A perda do cargo será
decidida na Câmara, uma vez que, durante o julgamento de Natan Donadon em 2010,
os ministros não discutiram a questão. No caso do processo do mensalão, porém,
o STF decidiu pelas cassações dos mandatos dos parlamentares condenados, sem
necessidade de votação na Câmara.
Portal G1.
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